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Fonte : Club-K
Batalha do Kuito Kuanavale: O Estratega e a Estratégia que ninguém apaga – Kamalata Numa
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Dia 11 de Novembro de 1975, a independência de Angola era proclamada de forma anormal em violação do acordado em Alvor. Em Luanda era proclamado pelo MPLA a República Popular de Angola e em Nova Lisboa (Huambu) a República Democrática de Angola.


Dia 8 de Fevereiro de 1976 o Huambo caía ante a invasão das tropas cubanas com as FAPLA, uma expedição militar armada pela Rússia e Cuba com tanks, carros de assalto e aviões de combate. Enquanto isso, as tropas sul africanas retiravam-se de Angola pela força da determinação da Resolução da OUA (Organização da Unidade Africana) em Adis-Abeba, no dia 22 de Janeiro de 1976, que decidiu a retirada de todas as forças estrangeiras (cubanas, sul africanas e outras) de Angola.


A UNITA sózinha e com a FNLA a retirar-se do campo de batalha, iniciava-se a longa luta de sobrevivência da República Popular de Angola em Luanda e da República Democrática de Angola na Jamba no Kuando Kubango em representação das decisões do Acordo de Alvor. Foram 15 anos de longas e duras batalhas que culminaram com o Acordo de Bicesse em 1991.


Esta longa batalha travada desde 1979 a 1991 entre Kuito Kuanavale e Mavinga, através de sucessivas ofensivas para a ocupação da Jamba Capital da Resistência, só terminou com a derrota da República Popular de Angola na Batalha Último Assalto em 1990. O fracasso deveu-se ao facto dessas ofensivas se terem estilhaçado diante da grande muralha formada pela “Estratégia Baseada na Teoria dos Grandes Números e na Matemática do Leader” fórmula gizada no calor da luta nos idos anos de 1977 pelo Estratega de craveira internacional Dr. Jonas Malheiro Savimbi (as escolas militares das FAA com humildade deviam estudar este Grande Leader).


A dita Batalha do Kuito Kuanavale é uma ficção porque a verdadeira Batalha de 1987/88 foi a Batalha Lomba 87, esta foi uma de entre várias batalhas que se produziram naquele teatro de guerra. A grandeza dessa Batalha reside nas consequências políticas que produziu ao ter permitido desbloquear a aplicação da resolução 435 de 1978, com o Acordo de Nova Iorque assinado a 22 de Dezembro de 1988 na Sede da ONU pelos Governo de Angola, Cuba e África do Sul.


Foi a Batalha Lomba 87 que desencorajou a aventura da Rússia e Cuba de expandir o comunismo na África Austral e não a dita Batalha do Kuito Kuanavale que serve para mascarar a vergonha da derrota infringida pelas FALA, o que veio confirmar a sua superioridade política, ideológica e técnico-táctica com o golpe de misericórdia na derrota às cansadas FAPLA na Batalha do Último Assalto já sem a presença de forças de Cuba ou da África do Sul.

Vejamos a cronologia de alguns factos:


Praticamente, a Batalha Lomba 87 iníciou no dia 12 de Julho de 1987 com a movimentação das brigadas 16a, 21a, 47a e 59a um total acima de 20 mil homens. Foram combates renhidos que culminaram com a destruição da 47a brigada no dia 11 de Outubro de 1987 e com profundo desgaste de outras brigadas.


No dia 12 de Outubro as FALA iniciaram uma perseguição feroz as brigadas e forças cubanas moralmente abatidas, empurrando-as até as proximidades do Kuito Kuanavale.


A partir do dia 1 de Janeiro as FALA reforçaram os ataques às posições da 21a Brigada das FAPLA a leste do Kuito Kuanavale.

Estes ataques tinham por finalidade desgastar ao máximo as tropas do governo angolano que anualmente lançavam ofensivas para a ocupação de Mavinga que na estratégia do Governo de Angola, serviria de plataforma para o assalto a Jamba.


Em função da situação insustentável das tropas das FAPLA e cubanas recuadas de Mavinga a leste do rio Kuito, Cuba foi obrigado a assumir directamente o comando do teatro das operações através de Fidel de Castro com a decisão do envio para o Kuito Kuanavale de um grupo táctico da 70a Brigada de Tanks cubana, reforçada com tanks e artilharia com finalidade de estabilizar a fracassada ofensiva no teatro das operações. As FAPLA ao mesmo tempo decidiram também enviar a 10a Brigada estacionada em Menongue.

Seguiram-se nos meses e dias seguintes as operações de desgaste profunda da estrutura ofensiva das tropas cubanas e das FAPLA. Apesar do abandono dos tanks sul africanos caídos nos campos de mina durante estas operações, as FALA continuaram com as operações de arcelamento das tropas estacionadas a leste do Kuito Kuanavale e já sem nenhuma capacidade ofensiva, o que veio a verificar-se com a ofensiva de 1990 quando as FAPLA, sem apoio cubano não conseguiram conquistar Mavinga e tão pouco sonhar ocupar a Jamba. Do outro lado, as FALA sem apoio sul africano mostraram que eram elas a espinha dorsal da resistência aos estrangeiros em Angola, demonstrando o heroísmo herdado dos seus antepassados.


A partir do contexto criado pela derrota das FAPLA e tropas cubanas em Mavinga acelerou-se a assinatura dos Acordos de Nova Iorque. O rescaldo da Batalha Lomba 87 com ataques de perseguição e arcelamento a volta do Kuito Kuanavale é que intitulam de Batalha do Kuito Kuanavale. Tecnicamente, estes confrontos militares foram combates no conjunto da operação de arcelamento das tropas derrotadas na Batalha Lomba 87 em Mavinga. Essas acções foram uma operação no conjunto da Batalha Lomba 87 que teve várias operações. O resto é confusão doutrinal que está a ser feito pelos defensores da dita Batalha do Kuito Kuanavale.


A retirada das forças cubanas de Angola em troca com a retirada da África do Sul da Namibia nada teve haver com o desfecho do dia 23 de Março de 1988 no Kuito Kuanavale. Tentar tirar vantagens deste contexto é próprio de cérebros coxos que julgam estar a falar para pessoas que não pensam.


A libertação de Nelson Mandela e a transformação do regime do apartheid em regime democrático e multirracial com a maioria negra a aceder ao poder é consequência da evolução internacional e do contexto criado pela resistência da UNITA que mostrou aos racistas sul africanos que os negros eram seres humanos com capacidades iguais como os brancos, superando-os em alguns casos. A UNITA na sua relação com os sul africanos nunca aceitou qualquer tipo de assessoramento como foi com os nossos compatriotas em todos os domínios daí a razão do fracasso em tudo que fazem.


A derrota das FAPLA e das tropas cubanas na Batalha Lomba 87, foi à derrota da Rússia e Cuba que tinham em Angola a trincheira firme para a expansão do comunismo na parte Austral da África. Na mesma dimensão se situa o Acordo de Bicesse entre o Governo de Angola e a UNITA que permitiu as primeiras eleições democráticas no país em 1991 para se voltar aos Acordos de Alvor violados pelo MPLA em 1975.


Com a Batalha Lomba 87 e a Batalha Último Assalto podemos visualizar o sucumbir da República Popular de Angola cuja energia vai minguando à medida que a República de Angola como Estado Democrático de Direito vai se impondo.


Nos últimos tempos, temos estado a assistir nos bastidores da política a imposição de outra percepção sobre a Batalha Lomba 87, que tem por finalidade retirar o mérito desta victória aos militares das FALA e das FAPLA que sofreram nas húmidas ou secas trincheiras do Hube, Tumpo, Chambinga, Lomba, Kuzumbia, Kubia as agruras da guerra.

Hoje assiste-se ao desfile de políticos e estrategas demagogos com teorias como a do triângulo do Tumpo, quando na realidade sempre estiveram a centenas de quilómetros desse teatro de guerra, com única intenção de mascarar os reais problemas como a corrupção e má governação do país.


O MPLA e alguns dirigentes da UNITA com Samakuva a cabeça esforçam-se em fazer desaparecer a imagem daquele que permitiu esta evolução que se deu na África Austral. Finge-se fazer algum esforço para que Dr. Savimbi seja enterrado com dignidade, mas a verdade é que Ele continua prisioneiro do MPLA.


A verdade é que se a UNITA tivesse sido derrotada na verdadeira Batalha Lomba 87 e não na dita Batalha do Kuito Kuanavale que é ficção dos derrotados, nunca teriamos a República de Angola como Estado Democrático de Direito e com a corrupção quase a sentar- se no banco dos réus.


Se o imperialismo soviético não tivesse sido derrotado na Batalha Lomba 87 pela resistência dos angolanos no seu todo, nunca teriamos tido as evoluções que se têm assistido actualmente na África Austral.


Se o MPLA tivesse vencido as FALA na Batalha Lomba 87 e na Batalha Último Assalto em 1990, nunca teriamos tido o contributo de terminar com a internacionalização da guerra pós-colonial que teve a presença dos cubanos, russos e sul africanos e estariamos a observar o definhar da República Popular de Angola ao estilo do Estado Bolivariano da Venezuela.


A verdade é que se a Batalha Lomba 87 fosse contada, a ficção sobre a dita Batalha Kuito Kuanavale e seu monumento caíriam no ridículo. Por que esta ficção representa o culminar das mentiras sob as quais assenta o nascimento da nossa independência e das nossas instituições.


Já perdemos muito tempo vivendo com a mentira, enquanto os outros povos que beneficiaram com nossos feitos progridem, nós continuamos a fazer esforços colocados nos extremos da corda puxando para lados opostos.


O exemplo da Conferência de Londres na Chatham House sobre a dita Batalha do Kuito Kuanavale há 30 anos e sem a presença da UNITA não é dignificante da parte do Governo de Angola.

O exemplo da cerimónia oficial no Kuito Kuanavale hoje dia 23 de Março de 2018 para assinalar os 30 anos sobre a dita Batalha do Kuito Kuanavale e a UNITA colocada na posição de espectador é um sinal que faz persistir a mentira e a secundarização da reconciliação entre angolanos.

Há já algum tempo que a TPA, a RNA e o Jornal de Angola, órgãos oficiais de comunicação de Angola, falam da dita Batalha do Kuito kuanavale sem dar oportunidade à parte que conhece bem a verdade à volta da guerra pós-colonial em respeito ao cidadão angolano que merece receber a informação o mais isenta possível.


Os sinais que o MPLA nos envia todos os dias são muito preocupantes. Mas, a culpa não é só do MPLA, a culpa é fundamentalmente também de alguns dirigentes da UNITA que ajudam o MPLA a fazer o que tem feito.


A responsabilidade de mudar este percurso mau que vem desde os primórdios da luta de libertação colonial aos nossos dias é de todos angolanos. A oportunidade que se nos oferece este momento de transição nas instituições do Estado de Angola, seja aproveitada com elevação racional e menos emoção cega para se focar na construção do nosso futuro comum em alicerces da verdade, do respeito, da fraternidade, da igualdade e do amor. Ao contrário, estaremos condenados a permanecer na sina do enaltecimento dos estrangeiros nossos aliados contra compatriotas, a fazer da mentira forma de governação permanente, a divisão, o antagonismo, a corrupção e o crime de sangue uma postura de energúmenos das grutas, colocando no topo a má governação, excelência da incompetência que temos estado a espelhar ao longo destes anos.

Muito obrigado.
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Terça-feira, 17 de Julho de 2018