UNITA - ANGOLA
Com os Acordos de Bicesse, os angolanos conquistaram ainda a democracia participativa aquela que se concretiza através do Poder Local Autárquico. Como todos devem saber, aqui na nossa região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral – SADC e nos Países de Língua Oficial Portuguesa, Angola é único país que não realiza eleições autárquicas.
16/06/2021
Nas últimas semanas, em diversas províncias do nosso país, sobretudo em Luanda e em Benguela, a situação sanitária apresenta-se dramática, caracterizada pelos seguintes aspectos:

• Aumento exponencial do número de pacientes afectados principalmente pela malária;

• Enorme afluência de doentes ultrapassando a capacidade instalada nas unidades sanitárias, com longos tempos de espera para o atendimento dos pacientes e uma exiguidade de camas, levando a que sejam acomodados dois ou mais doentes na mesma cama, com doentes no chão, sendo preocupante também o caso dos pacientes pediátricos;

• Insuficiência de medicamentos essenciais e de material gastável nas diversas unidades sanitárias, particularmente nos Hospitais Municipais, sendo os pacientes obrigados a comprar medicamentos nas farmácias localizadas ao redor dos hospitais;

• Sobrecarga de trabalho para os médicos, os enfermeiros e outro pessoal da saúde, fazendo com que alguns médicos tenham de atender mais de 50 doentes num turno e alguns enfermeiros tenham de apoiar mais de 100 pacientes internados, numa altura em que muitos profissionais se encontram no desemprego;

• Elevada mortalidade em diversos hospitais, atingindo sobretudo crianças, geralmente afectadas por grave incidência de malnutrição.

Toda esta situação advém de factores sobejamente conhecidos por todos nós, angolanos, nomeadamente: o deficiente saneamento do meio que levou ao acumular de lixo em Luanda e noutras localidades; a persistência de charcos que permitem o desenvolvimento das larvas do mosquito; o deficiente abastecimento de medicamentos e de material gastável nas unidades sanitárias, particularmente nos Centros de Saúde e nos Hospitais Municipais, motivando o elevado afluxo de doentes aos Hospitais Secundários e Terciários, por impossibilidade de resposta dos hospitais de primeira linha; colocação deficiente do pessoal da saúde em várias unidades sanitárias; reduzido orçamento disponibilizado aos hospitais.

Perante esta grave situação sanitária em que o nosso país se encontra, a UNITA:

? reconhece enorme esforço que está a a ser desenvolvido pelos médicos, enfermeiros e outro pessoal da saúde, tendendo a reduzir os efeitos nefastos provocados por esta situação;

? recomenda às autoridades sanitárias ouvirem os conselhos dos profissionais de saúde representados em organizações como o Sindicato dos Médicos e a Ordem dos Enfermeiros que, preocupados com a situação vigente, há muito tornaram pública a sua preocupação, mostrando os principais estrangulamentos do sistema e propondo vias de solução aos problemas existentes;

? exige ao titular do poder executivo o reforço das condições de trabalho nos hospitais, incluindo o reforço de verbas aos serviços de saúde de modo a permitir que eles possam enfrentar com mais eficácia esta situação que está a pôr em risco a vida de demasiados cidadãos;

- face ao evidente colapso de todo o sistema de saúde do nosso país, apela ao esforço conjugado de todos no sentido de, urgentemente, exigir-se ao executivo a convocação de uma conferência nacional para a reforma profunda de todo o sistema de saúde do nosso país.

Luanda, 15 de Junho de 2021

O Secretariado Executivo do Comité Permanente da Comissão Politica da UNITA

Fonte: UNITA
Em destaque
02/06/2021
27/05/2021
 Sob orientação do Presidente do Partido, Engenheiro Adalberto Costa Júnior, teve lugar, no dia 29 de Maio de 2021, no complexo SOVSMO sito em Viana na Cidade de Luanda, a IV Reunião Ordinária do Comité Permanente da Comissão Política da UNITA, alargada aos membros do Conselho Presidencial.
O actual contexto de crise generalizada no país exige dos angolanos, acima de tudo, patriotismo e uma rigorosa reflexão para que a necessária alternância política que o país tanto reclama ocorra num clima de estabilidade, fraternidade, e não de hostilidade. A oligarquia que em 1975 violou o Acordo do Alvor e com a ajuda de forças militares cubanas tomou o poder na capital instituiu um Estado de partido único.
A anciã que recentemente perdeu a vida na localidade de alto Catumbela, município da Ganda, em consequência da presente situação, trata-se de Ermelinda Nasapalo de 77 anos, encontrada morta no interior da sua residência, aumentando ao grande número de vitimas que morrem, a exemplo de um dos catequistas da região, também morto pela fome, que fustiga com muita intensidade aquela circunscrição geográfica de Benguela, tal como confirmam a população em declaração aos meios de comunicação social.
 O regime angolano manifesta total apoio para a transformação do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA) em partido político virado para juventude, tendo em conta as Eleições Gerais previstas para o ano de 2022, com a denominação de Movimento Estudantil para Renovação de Angola (MERA), segundo apurou o Club-K.
O papel da Entidade Reguladora da Comunicação Social em Angola, (ERCA) foi questionado na Huíla por profissionais do sector.
Algumas famílias na província de Benguela, bairro Vimba-lambe, Município da Catumbela, vêem-se nos últimos tempos obrigadas a colher gafanhotos para alimentação e para comercializarem aos chineses, tal como confirmou recentemente a Rádio Eclésia o activista Dino Kalei.
Mais de 200 jovens activistas foram neste sábado, 29 de Maio de 2021, em Luanda, impedidos de realizar a manifestação que teve como objectivo protestar contra a má governação e subida vertiginosa dos principais serviços da sexta-básica, que tem reflectido no aumento da fome no seio das famílias angolanas.
Os trabalhadores da TCUL – Transporte Colectivo Urbanos de Luanda, estão desde esta segunda-feira, 31 de Maio de 2021, em greve de fome com o fim previsto para quinta-feira, por estarem sob ameaça de despedimentos, por terem participado da última greve realizada na empresa.
Eco do Partido
Campo do militante
O Presidente da UNITA, Isaías Samakuva, trabalhou esta quarta-feira 26 de Julho de 2017, na capital do Bengo, Caxito, tendo discursado para as populações locais.
“A Importância ou não da cerca sanitária em Luanda” foi o tema do Debate da manhã deste sábado, 22 de Agosto de 2020, na Rádio Despertar, em que os convidados consideraram não continuarem válidas as razões que estiveram na base da criação da cerca sanitária à Província de Luanda.
Intolerância
Palavra do Presidente
Uma delegação da União Europeia encabeçada pela sua embaixadora Jeannette Seppen reuniu-se na manhã desta terça-feira, 16 de Junho de 2021, na sede da Presidência da UNITA, em Luanda, município da Maianga, com a direcção da UNITA, na pessoa do seu Presidente, Adalberto Costa Júnior, acompanhado pela Vice-Presidente e Secretário para as Relações Internacionais e Comunidades desta força política.

Do encontro abordou-se sobre as próximas eleições gerais no País, entre outros assuntos e desafios da actualidade nacional, tal como confirmou a embaixadora à comunicação social no fim da reunião.

“Sabemos todos que Angola está a entrar pouco a pouco, se calhar já entrou na fase das eleições. E, então a União Europeia mais uma vez na parte da parceria com Angola fala com todos os políticos de Angola, para perceber, ouvir sobre tudo quais são as expectativas, quais são as ideias; quais são os desafios”.

Na oportunidade, o Presidente da UNITA considerou que foi um bom encontro e falou dos diferentes pontos importantes levantados na conversa com a embaixadora da União Europeia.

“Sobre o encontro dizer que foi uma oportunidade de nós podermos partilhar, particularmente os desafios do País, e aqueles mais imediatos. Falamos, particularmente, dos desafios das futuras eleições de 2022, as questões ligadas aos direitos cívicos, aos direitos políticos; a necessidade de um comprometimento efectivo com os compromissos eleitorais, e também com o desenvolvimento”.

“A UNITA apresenta-se neste momento com um projecto sólido, nós estamos a formatar uma âmpla frente que pretendemos venha a recolher uma frente democrática para a alternância, o apoio da maior parte dos angolanos, e sobre esta matéria partilhamos também algumas ideias”, disse o Líder da UNITA.
grupo parlamentar 
Projectos de Iniciativa do Grupo Parlamentar da UNITA

(Apresentação Pública)

Angolanas e angolanos, caros Jornalistas;

Há duas semanas, informamos aos angolanos que a UNITA iria apresentar à Assembleia Nacional medidas legislativas adequadas para apoiar o combate à corrupção. Apraz-nos informar que, ontem, dia 15 de Junho, remetemos ao Gabinete de Sª Excia o Presidente da Assembleia Nacional dois projectos de lei com forte impacto na consolidação do Estado de Direito e que poderão contribuir sobremaneira para o combate à corrupção.

São eles: o Projeto de Lei Sobre o Direito de Petição e o Projeto de Lei Sobre o Exercício do Direito de Oposição Democrática. Tratam-se de diplomas reguladores do exercício de direitos políticos fundamentais pelos cidadãos, que limitam o arbítrio de quem governa, por permitir a participação directa dos cidadãos na governação por via de petições, denúncias, reclamações, queixas e sugestões, e por estabelecer um quadro jurídico de intervenção da oposição no controlo preventivo, sucessivo e regular da eficácia das políticas do Executivo na concretização dos direitos fundamentais. Cumpre-nos apresentar aos angolanos os objetivos, conteúdos e benefícios destes diplomas.

Projeto de Lei Sobre o Direito de Petição

A Constituição da República de Angola, consagra no artigo 73.º o direito de “petição, denúncia, reclamação e queixa” como direito político, um instrumento de participação dos cidadãos na vida política. Assim, os angolanos passam a poder dispor de um mecanismo prático e expedito quer para a defesa de direitos pessoais, quer para a defesa da Constituição, quer para a defesa das leis ou do interesse geral.

Se um grupo de cidadãos tiver por exemplo uma proposta concreta sobre a política de recolha do lixo num Município, ou sobre a forma de se combater com mais eficácia a corrupção da alta hierarquia e pretender que os poderes públicos tomem alguma decisão definitiva sobre o assunto, poderá utilizar o instituto da PETIÇÃO.

Se por exemplo, um trabalhador bancário, um motorista, um funcionário do Notário ou qualquer pessoa tiver conhecimento de um depósito avultado, de compra de títulos ou de uma outra operação financeira de milhões de dólares, feita por uma pessoa politicamente exposta, ou por um suspeito “testa de ferro”, deve imediatamente apresentar uma DENÚNCIA ou QUEIXA para possibilitar a devida investigação.

Se alguém desejar proceder à impugnação de um acto de qualquer autoridade, perante o próprio órgão, funcionário ou agente que o praticou, poderá utilizar o instituto da RECLAMAÇÃO.

As petições visam a defesa de assuntos de interesse público, pedindo providências ou propondo soluções. As reclamações e queixas, por sua vez, têm a ver principalmente com a defesa de interesses próprios do autor.

O direito de petição, denúncia, reclamação e queixa é um direito de todos, nacionais e estrangeiros. E não está sujeito a formas ou processos específicos, tendo carácter essencialmente informal. Apesar disso, justifica-se que, para certos efeitos, se exija a forma escrita, a identificação dos peticionantes e se estabeleçam prazos e procedimentos para se garantir que os pedidos não caiam no esquecimento, que as assinaturas digitais sejam aceites, que os cidadãos sejam informados sobre a evolução dos pedidos e que os mesmos sejam atendidos em prazos razoáveis. Este é o grande objectivo desta lei.

O Estado e as entidades públicas não podem impedir que os cidadãos façam petições nem que recolham assinaturas quando se tratar de petições colectivas. Por outro lado, o direito de petição obriga as autoridades públicas a receber, examinar e responder às petições dentro de um prazo estabelecido.

A lei estabelece de forma exaustiva os procedimentos que os Deputados devem observar para atender as petições dirigidas à Assembleia Nacional. As petições dirigidas ao Provedor de Justiça seguem tramitação própria, nos termos da legislação já existente. As petições dirigidas ao Presidente da República seguem a tramitação estabelecida pelo Presidente da República.

Projecto de Lei Sobre o Exercício do Direito de Oposição Democrática

A Lei Sobre o Direito de Oposição Democrática não é uma lei para a oposição. É uma lei para todos. É uma lei para consolidar a democracia angolana e o nosso Estado de direito. Viabiliza a fiscalização dos detentores do poder político, concretiza a possibilidade de alternância no poder executivo e garante os direitos políticos fundamentais. A sua aprovação irá permitir o estreitamento das relações institucionais entre o Presidente da República e o Parlamento, irá introduzir uma nova dinâmica nas relações entre o Estado e o cidadão e fortalecer a confiança entre a comunicação social pública e as minorias. No final, vai beneficiar também o combate à corrupção.

O direito de oposição democrática está consagrado no artigo 17.º n.º 4 da CRA e abarca, no caso, quatro outros direitos fundamentais: (1) o direito de resposta e de réplica política às declarações do Executivo, consagrado no artigo 45.º n.º 2 da CRA; (2) o direito de antena; (3) o direito à informação sobre assuntos importantes da vida nacional; e (4) o direito à consulta prévia. Por constituir novidade, importa descrever em síntese cada um desses direitos.

(1) Direito de resposta e de réplica política

A democracia considera a oposição uma força democrática eleita e actuante, com igual legitimidade que o Governo, que tem espaços próprios de intervenção para ser ouvida pelos cidadãos da mesma forma e com a mesma frequência com que se ouve o Governo.

Nesta base, os partidos políticos representados na Assembleia Nacional que não sustentam o Executivo passam a ter o direito de responder às declarações políticas de qualquer ente público que representa, auxilia, dirigido, tutelado ou superintendido pelo Presidente da República ou pelo Partido que o sustenta. Destina-se a permitir aos partidos da oposição parlamentar contrapor os seus argumentos e posições às do poder Executivo. Pressupõe naturalmente que as declarações políticas proferidas, que são objecto de resposta ou réplica política, tenham sido veiculados na rádio ou na televisão.

Quando se trate de declarações de política geral, todos os partidos de oposição gozam de tal direito; quando a declaração governamental tenha a ver com determinado partido de oposição, só ele goza do direito de resposta.

O direito de resposta e réplica política inerente ao direito de oposição democrática não se confunde nem prejudica o direito de resposta e de rectificação que integra a liberdade de expressão e de informação, previsto no artigo 40.º n.º 5 da CRA, que é reconhecido a todas as pessoas singulares e colectivas (incluindo os partidos políticos), como meio de corrigir facto verídico ou erróneo que possa afectar a sua imagem, representação ou credibilidade políticas e a que os serviços ou meios de comunicação social tenham feito referência.

Os sujeitos passivos do direito de resposta e réplica política são as emissoras de rádio e de televisão públicas (serviço público de rádio e de televisão) e aquelas que forem utilizadas para veicular as declarações objecto do direito de resposta e de réplica política. O tempo, a hora e o realce a dar à resposta devem ser idênticos ao que foi atribuído às declarações iniciais.

(2) Direito de antena

O direito de antena inerente ao exercício do direito de oposição democrática não se confunde com os “tempos de antena nas estações de radiodifusão e de televisão públicas” previstos para os períodos de eleições gerais e autárquicas e de referendo. É algo diferente. É um direito reconhecido não aos partidos em si mesmos, mas apenas aos que foram eleitos para representar os cidadãos no Parlamento. É uma espécie de contrapartida pelo tempo de antena implícito que os partidos que governam têm pela via do próprio Executivo (entrevistas, notícias da actividade governativa, etc.).

Com a aprovação desta lei, os partidos políticos representados na Assembleia Nacional e que não façam parte do Executivo passam a ter direito, gratuita e mensalmente, a dez minutos de tempo de antena nas emissoras de rádio públicas e a dez minutos de tempo de antena na televisão públicas, acrescidos, em cada caso, de trinta segundos por cada deputado eleito. O tempo mensal pode ser repartido, dentro dos limites que a lei estabelece, sendo a programação estabelecida com a colaboração dos titulares do direito de antena. A falta de acordo dá lugar a arbitragem pela Entidade Reguladora da Comunicação Social Angolana.

Os tempos de antena são emitidos no serviço de programas televisivo de cobertura nacional de maior audiência portanto antes ou após o principal jornal nacional costumeiramente difundido entre as 20 e as 21 horas.

O direito de antena é intransmissível e deve ser suspenso um mês antes da data fixada para o início do período de campanha em qualquer acto eleitoral ou referendário.

(3) Direito à informação

Estabelece o direito de os titulares do direito de oposição Democrática serem informados regular e directamente pelos correspondentes órgãos executivos sobre o andamento dos principais assuntos de interesse público relacionados com a sua actividade. Um desses assuntos é o combate à corrupção. Nos regimes democráticos, a corrupção é um problema de todos que deve ser combatida com o concurso de todos e de forma permanente. O combate começa pelo próprio sistema de repartição de poderes, de pesos e contrapesos, entre maiorias e minorias, ou seja, entre governo e oposição, e inclui a partilha regular de informação privilegiada entre o Executivo e as lideranças dos partidos políticos da oposição e não apenas dos seus grupos parlamentares.

(4) Direito à consulta prévia

Alicerçado no princípio da interdependência de funções, os partidos políticos representados na Assembleia Nacional e que não façam parte do Executivo passam a ter o direito de se pronunciarem no decurso dos trabalhos preparatórios de elaboração de políticas e de iniciativas legislativas do Executivo relativamente a matérias de interesse nacional, como a orientação geral da política externa, eleições, regime de concessão e transmissão da terra, regime geral dos meios de comunicação social, partidos políticos e instituições de utilidade pública.

Prezados compatriotas, Ilustres Jornalistas:

A consagração do direito de oposição democrática no ordenamento jurídico angolano vem dar corpo àquilo que se pode denominar de “estatuto constitucional da oposição”, o que inclui a existência de canais adequados para o diálogo institucional e formal entre, a maioria parlamentar e o Executivo que ela suporta e, entre o Executivo e as minorias parlamentares que almejam tornar-se maioria. O Estado democrático de direito só se consolida se os dois grupos eleitos, maiorias e minorias, tiverem espaços iguais de intervenção para apresentação de medidas de política para as funções de governação, fiscalização, controlo e responsabilização.

O estatuto constitucional da oposição inclui ainda o direito de obter do Executivo informação adequada e em prazo razoável, sobre as medidas tomadas para efectivar as garantias constitucionais de liberdade e independência dos órgãos de comunicação social perante o poder político e o poder económico e para assegurar uma estrutura e um funcionamento democrático dos meios de comunicação social do sector público que salvaguardem a sua independência perante o Executivo, a Administração Pública e os demais poderes públicos, bem como sobre a garantia constitucional da possibilidade de expressão e confronto das diversas correntes de opinião.

Angolanas e angolanos, Prezados Jornalistas:

Angola tem de mudar!

Angola precisa neste momento de instituições fortes com lideranças efectivamente comprometidas com a luta contra a corrupção, lideranças que tenham a coragem de romper decididamente com o passado e de visualizar o futuro para lá das lealdades partidárias.

No combate à corrupção, os líderes não podem colocar seus Partidos em primeiro lugar. O combate à corrupção e à impunidade só terá êxito se os líderes colocarem a Pátria em primeiro lugar!

Se o Senhor Presidente da República teve a coragem de demitir o seu próprio Ministro de Estado e chefe da casa de segurança, responsável pela Segurança Nacional, que coordenava em seu nome e representação várias comissões interministeriais, mesmo sem ter ainda, pelo que sabemos, concluído eventuais investigações, estamos convencidos que o Senhor Presidente da República vai demonstrar também o seu patriotismo ao mandar avançar, nas vestes de Presidente do MPLA, as Comissões Parlamentares de Inquérito necessárias para se apurar, a nível do Parlamento, a dimensão real das conexões fraudulentas ou subversivas entre a Casa de Segurança, o Ministério das Finanças e o BNA e entre a Casa de Segurança e outros órgãos do Estado.

Líderes patriotas colocam-se acima dos partidos, porque sabem que o Estado é perene, e sabem também que não pode haver segredo de estado que a Assembleia Nacional e o Presidente da República não podem partilhar em segurança.

Se a Casa de Segurança do Presidente da República subverteu as suas funções e está seriamente envolvida no desvio das cédulas seladas de dinheiro que o BNA importa, também deverá estar envolvida no desvio dos boletins de voto que a CNE importa. Quem desvia dinheiro desvia votos!

O Grupo Parlamentar da UNITA vai solicitar uma CPI para determinar o eventual envolvimento da Casa de Segurança do Presidente da República em outras actividades subversivas, atentatórias do Estado de Direito de que há muito tempo tem sido acusada.

Estamos convencidos que ainda há muitos caranguejos e polvos a engordar por aí enquanto o povo morre de fome e a subversão ataca o Estado de Direito e procura asfixiar as liberdades democráticas. Angola vive uma grave crise social e económica porque os recursos financeiros do Estado são desviados do seu fim socialmente útil para o enriquecimento ilícito de uma minoria gananciosa.

Os angolanos devem estar atentos para identificar as lideranças em que devem confiar para vencer a luta contra a corrupção e construir a Angola do futuro, Angola de todos, uma Angola unida, próspera e digna, livre do medo, da pobreza, da corrupção e do analfabetismo.

O combate à corrupção não é um combate contra pessoas específicas nem contra um Partido ou uma classe social específicos. É um combate contra práticas erradas, tais como a utilização das instituições do Estado para roubar o que a todos pertence; contra o vício do exercício de cargos públicos só para roubar e defraudar; contra a cultura da manutenção do poder a qualquer custo; contra a presunção de que uns nasceram para se eternizar no poder e outros para serem eternamente roubados, aldrabados e espezinhados. O combate à corrupção é um combate de todos para o benefício de todos!

O combate à corrupção não pode ser condicionado nem limitado por conveniências eleitoralistas. No combate à corrupção não se poupam os familiares, compadres, amigos, camaradas de Partido nem os colegas ou companheiros de longa data.

Nesse combate, não há governo nem oposição; não há pequenos nem grandes; não há Ministros de Estado nem Directores de Gabinete; não há Magistrados nem generais, não há chefes nem subordinados. O exemplo tem de vir sempre de cima. Quando digo de cima refiro-me, naturalmente aos dois órgãos de direcção e controlo político do Estado, o Presidente da República e a Assembleia Nacional.

Com a aprovação do Projeto de Lei Sobre o Direito de Oposição Democrática, Angola dá um passo importante na caminhada para o resgate do Estado de Direito. No Estado de Direito, os Serviços de Informação e Segurança do Estado, o Banco Nacional de Angola e a Polícia Nacional, por exemplo, não defendem nem se subordinam a Partidos políticos. Defendem o Estado e subordinam-se à Constituição. Não defendem o Estado de Partido único nem o Estado autoritário. Defendem o Estado democrático, multipartidário. Por isso, precisamos de institucionalizar o diálogo entre o Executivo, que representa a maioria actual, e a oposição, que representa as minorias de hoje e a maioria de amanhã. Porque as maiorias são sazonais, mas as instituições são permanentes. Hoje são dirigidas pelo MPLA, amanhã serão dirigidas pela UNITA. Depois, por outros Partidos e depois pelo MPLA e pela UNITA novamente, e assim sucessivamente.

A aprovação da Lei Sobre o Direito de Oposição Democrática permite assim que, mesmo quando o MPLA estiver na oposição, não vai deixar de acompanhar as informações sensíveis sobre a segurança alimentar, a segurança financeira, a segurança sanitária ou a segurança cibernética. É o ciclo da democracia. É o princípio da alternância no exercício do poder político conjugado com o princípio da continuidade do Estado.

Como titulares dos órgãos da República, temos de crescer. Os angolanos só deverão respeitar as instituições do Estado se estas se fizerem respeitar. Temos de sair da esfera do absolutismo de um dos poderes do Estado, porque o nosso Estado multipartidário é mais do que o Poder Executivo. O Estado inclui as minorias, representadas pela oposição parlamentar. Temos de afirmar sempre o Estado de Direito Democrático.

Viva Angola

Luanda, 16 de Junho de 2021

O GRUPO PARLAMENTAR DA UNITA
L.i.m.a - actividades
No quadro das actividades alusivas ao Mês da LIMA e mormente do dia da sua fundação, a 18 de Junho, a Presidente Nacional da LIMA, Helena Bonguela Abel, realiza visitas institucionais nos Órgãos de comunicação social, em companhia de membros do Executivo Nacional, conforme uma nota divulgada, no Facebook, na página Oficial da Organização.

De acordo com a divulgação, na primeira fase são abrangidas as Rádios Eclésia, RNA e MFM e como as imagens falam mais alto, ei-las aqui.

“Outras actividades acontecem simultaneamente em todas as províncias do país. O acto central do dia 18 realizar-se-á nas terras da Palanca Negra Gigante, na cidade capital de Malange com todas as medidas cautelares de biossegurança e de distanciamento social”, acrescenta a nota.

Segundo a nossa fonte, as demais províncias comemoram a data, justamente no dia 18 de Junho, sob o lema: “LIMA sim, na mobilização dos Patriotas para alternância do Poder!”.

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Obra de Isaías Samakuva
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Quarta-feira, 23 de Junho de 2021