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UNITAANGOLA
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Discurso do Presidente Isaías Samakuva por ocasião da celebração do 3 de Agosto no Kuito
Eu gostaria começar por agradecer, como já o fez o nosso Secretário provincial do Bié, a vossa presença aqui.
É consolador, ver esta multidão toda aqui presente, para ouvir a mensagem da UNITA, mas, sobretudo para celebrar este dia. Devia ser no dia 3, mas que está a ser celebrado hoje, o dia 3 de Agosto que é o dia do nascimento do nosso presidente fundador, o malogrado e saudoso, Dr. Jonas Malheiro Savimbi.
18/08/2015
Regime forja motivo para uma purga militar contra a Direcção da UNITA - Victorino Nhany
REPÚBLICA DE ANGOLA

U N I T A
SECRETARIADO GERAL DO PARTIDO
GABINETE DO SECRETÁRIO GERAL

CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Povo angolano
Senhores Jornalistas

A nossa bela Pátria – Mãe não é mais senão esta argamassa que nos mantém de pé antes dos tempos, durante os tempos e na eternidade dos tempos, que nos seus limites geográficos, coincide com o País – a nossa Angola – Território onde nascemos, vivemos e onde nos podemos realizar. Não temos mais um outro património comum senão Angola.

Sendo Angola a nossa Casa Mãe, todos os filhos têm a obrigação patriótica de cuidá-la bem para uma convivência em harmonia na relação Mãe –Filhos (e vice versa).
Porém, desde a longa noite colonial aos dias de hoje, a nossa Mãe padece de uma doença prolongada, mas curável, o que exige de todos os seus filhos uma quota parte para uma cura permanente.

Povo angolano
Caros Jornalistas
Tomamos a iniciativa deste encontro para serdes os porta – vozes da denúncia de um plano macabro que pode adiar para um tempo indeterminado o grande sonho de os angolanos viverem felizes num País que os viu nascer.

Depois de uma democracia negada após o golpe de 25 de Abril de 1974 resultante da revolução dos Cravos que derrubou o regime fascista de Salazar, graças à entrega de patriotas abnegados, aos 31 de Maio de 1991 foram assinados os Acordos de Bicesse que deram fim a uma República Popular e o resgate de um Estado Democrático e de Direito – o regime da paz.

Porém, Angola ao longo dos seus 40 anos de existência, face à sua fraqueza no que a cultura democrática diz respeito, os dirigentes do partido que tem vindo a sustentar o governo têm-se posicionado na base da cultura do medo, inventando teorias de Golpes de estado que ao fim e ao cabo se têm constituído numa arma venenosa que por um lado dizima os seus melhores filhos e por outro, faz perpetuar no poder um regime que apenas se serve da riqueza de todos nós, ao invés de servir todos os filhos de Angola.

Vejamos a Cronologia dos supostos golpes
? O 1º aos 27 de Maio de 1977 com um objectivo duplo: primeiro, impedir que Nito Alves e seu grupo chegassem politicamente vivos e competitivos ao I Congresso do MPLA marcado para Dezembro do mesmo ano e disputassem a liderança do Partido e do estado com o Presidente Agostinho Neto; segundo, eliminar fisicamente os adversários políticos mais competitivos;
? O 2º foi em 1986/87 quando o general Alexandre Rodrigues “Kito” Comandante Geral da Policia de então criou uma Policia Especial e que depois de humilhado foi destituído tendo-se, mais tarde, chegado a conclusão de que era falso;
? O 3º foi em 1993 tendo-se acusado os Bakongo de golpistas, organizando-se delinquentes que no Roque assassinaram angolanos dessa etnia – massacre conhecido como 6ª Feira Sangrenta;
Esse massacre foi antecedido do de 1992 após o pleito eleitoral em que os ovimbundo, na sua maioria conheceram o mesmo destino;
? O 4º aconteceu em 2004/ 2005, tendo como alvo o General Fernando Miala vítima da investigação dos desvios dos dinheiros da China que atingiria o topo do poder executivo, culminando com a sua destituição do cargo na Segurança Externa;
? O 5º foi aos 23 de Novembro de 2013 aquando da manifestação convocada pela UNITA para os cidadãos repudiarem o assassínio de Alves Kamulingui e Isaias Kassule, à luz da Constituição, o Comissário - Chefe Paulo de Almeida ignorou a Constituição e considerou a manifestação de golpe, tendo sido apoiado pelo sr Bento Bento que acusou a Comunidade Internacional de coluio num acto de massas na Cidadela. Feita a investigação, a DNIC apurou cola e cartazes como material bélico para a materialização do aludido golpe!
? O 6º golpe de estado é o dos 15 jovens revolucionários mais um, concentrados em palestra a lerem um livro e que o material bélico seriam os livros, computadores, telefones e esferográficas.
? O 7º golpe de estado é o traduzido no forjado documento do GEPA que fazemos gentileza de fazer chegar aos caros jornalistas, cujo detalhe desenvolvemos mais adiante pela importância que encerra.

No seio disso tudo, qual é a contradição principal?

A contradição principal reside entre o sistema e o Povo.

A situação económica e social do País devida às más políticas do partido que sustenta o governo, traduzidas em assimetrias regionais em que invariavelmente em políticas orçamentais 80% do bolo fica para a estrutura central e apenas 20% para as dezoito Províncias; a perene aposta numa economia de enclave vendo, no petróleo como única fonte de receitas para o crescimento económico; a baixa do preço do barril de petróleo que agrava as más políticas económicas; a não diversificação da economia em que o 2º sector económico mais importante do País – o sector rural – é ignorado, passando Angola a importar do gindungo à fuba, batata e arroz; a corrupção galopante; o roubo do erário público; o nepotismo, entre outros, afiguram-se as razões mais marcantes da actualidade o que opõe o regime vigente ao Povo angolano.

Esta é a Contradição principal.

Povo angolano
Prezados Jornalistas

Pretendendo enganar a opinião pública nacional e internacional, o regime no poder tenta desviar as atenções ligadas à situação que acabamos de radiografar, veiculando intrigas, culpabilizando a UNITA, escudando-se em forjados golpes para uma Organização sem tropa, sem armas, sem logística, sem território e que assumiu perante o povo a sua participação na luta política na base da Força do Argumento enquanto o regime ainda se encontra na lógica do Argumento da Força, num Estado Democrático e de Direito.

A Escola da UNITA ensina, nós aprendemos e assimilamos que o estudo dos diferentes estádios da desigualdade do desenvolvimento das contradições, o estudo da contradição principal, o estudo do aspecto principal da contradição principal e o estudo das contradições secundárias, permitem-nos detectar a estratégia e as tácticas do nosso adversário.

Caros Jornalistas
Vejamos a sequência das contradições:

- A responsabilização da UNITA quanto ao caso do Monte Sumi quando o regime foi dando apoio à seita do sr José Kalupeteka, há 14 anos!
- O suposto plano do GEPA, que esclarecemos logo a seguir, para derrubar o Presidente da República!
- A detenção dos jovens Revolucionários que se têm envolvido no exercício de cidadania à luz da Constituição, imputando-se toda a responsabilidade à UNITA.
- Propaganda ensaiada em Laboratórios dos Serviços Secretos apostando para um eventual “ressurgimento” do Dr Savimbi enganando os incautos com fins por nós já descobertos!
- As intrigas apontadas para o reactivar da BRINDE quando a UNITA, partido histórico e maduro que é, no âmbito de se informar para melhor actuar no campo político e diplomático, criou um Gabinete de Estudos, Pesquisa e Análise, denominado GEPA, ao nível das estruturas central e intermédias;

Povo angolano
Caros Jornalistas

Perante estes factos e pela sua sequência, podemos desconfiar de que as informações que chegam ao conhecimento da UNITA sejam verdadeiras e que há um plano tácito podendo ser materializado pelo regime, se os angolanos se distraírem!

Se não, vejamos:

Há cerca de três meses, o Presidente da UNITA escreveu ao Presidente da República, para denunciar a falsidade de um documento de autoria atribuída aos serviços de

Segurança do Presidente da República, que imputava à UNITA a intenção de atentar contra as instituições do Estado e tomar o poder politico por métodos não previstos nem conformes com a Constituição.

Trata-se de um documento forjado, produzido pelos Serviços de Inteligência do Presidente da República, mas atribuído ao Gabinete de Estudos, Pesquisa e Análise da UNITA- GEPA.

Está rubricado com uma assinatura que desconhecemos e os seus autores não identificam a pessoa que o assina.

Tenho aqui uma cópia desse documento (distribuir). O Presidente Samakuva escreveu ao Senhor Presidente da República para repudiar o objectivo velado de tal documento e garantir-lhe categoricamente que o documento é absolutamente falso.

É falso no seu conteúdo. É falso na sua autoria. É falso na origem que lhe é atribuída. A redacção não é da UNITA. O método utilizado e os conteúdos do documento não fazem parte do âmbito de actividades do GEPA, nem da sua cultura técnica e administrativa.

Para enfatizar a falsidade do documento, está a inserção de uma máxima que se alega ser de autoria do Dr Savimbi, cito “O MPLA só respeita o som de uma metralhadora e, quando a pátria sangra todo o sacrifício é pouco”! O Dr Savimbi nunca disse isso!

O objectivo dos agentes corruptos que forjaram o documento, reside em extorquir dinheiro do OGE para fins financeiros, alegando que precisam de milhões de dólares para abortar tais “planos da UNITA”!

Tudo indica que esse dinheiro ter-lhes-ia sido entregue.

Chegou também ao conhecimento da UNITA que, oficiais da Casa Militar envolvidos nessa trama, estariam a ser abastecidos com informações falsas por um ex - membro da UNITA filiado até 2012, depois tornou-se militante de um outro partido e agora parece que o regime estará a financiá-lo para criar um novo partido a fim de sustentar a fraude eleitoral que prepara para 2017.Os autores dessa trama, escreveu o Presidente da UNITA, não parecem ter qualquer pejo em desinformar o Chefe de Estado forjando um crime tão delicado como o atentado à Segurança nacional, só para desviarem fundos públicos para enriquecimento pessoal.

Infelizmente, até hoje, não recebemos nenhuma resposta nem comentário do Sr Presidente. Só que, nesse intervalo de tempo, surgiram outros dados, todos eles convergindo num ponto: a intenção clara do regime de incriminar a UNITA em actos forjados contra a alegada Segurança de Estado angolano.

Povo angolano

Caros Jornalistas

Para o espanto da UNITA, não só o Sr Presidente da República não respondeu à carta, como ainda foi enviado um deputado (o executivo a interferir no poder legislativo) Bento Raimundo, da AJAPRAZ, a palmilhar o Centro do País inoculando na mente dos menos avisados que a UNITA pretende fazer a guerra! Com quem?

Como se não bastasse, chegou ao nosso conhecimento que alguns antigos soldados e oficiais das extintas forças militares da UNITA, muitos dos quais já desmobilizados, estão a ser recrutados, fardados e equipados para desestabilizarem o país.

Esses indivíduos estão a ser recrutados com base num mito segundo o qual o Dr. Jonas Malheiro Savimbi não morreu nada! O mito que está sendo espalhado já há algum tempo diz que o Dr. Savimbi está vivo e que em breve aparecerá para libertar os angolanos da miséria, da corrupção e da má governação do MPLA.

Existe um plano bem urdido que utiliza este mito para explorar a ignorância e o obscurantismo que ainda enfermam alguns sectores da nossa sociedade, e, assim, seduzir os incautos a uma resposta à rebelião armada e depois responsabilizar-se a UNITA por actos que atentem contra a segurança do Estado.

Esse plano, ao que tudo indica, tem a mão da Direcção dos Serviços da Contra Inteligência Militar e a chancela superior.

Com base no referido plano, foi constituída uma estrutura militar clandestina, para organizar e dirigir uma acção de carácter militar contra o regime do Presidente José Eduardo dos Santos cuja chefia e composição estão devidamente identificadas.

Obtivemos elementos de prova desta cilada porque alguns elementos recrutados participantes das reuniões, discordam do plano, forneceram-nos gravações que nos permitiram analisar e cruzar informações, para concluir que estamos perante uma cilada golpista forjada pelos serviços dirigidos pelos próprios órgãos do Estado.

O mito que o Dr. Savimbi está vivo e prepara-se para voltar, serve de isca para atrair os incautos cidadãos da UNITA que servirão apenas de carne para canhão. O mito é aliado à crise social que o país vive e à má governação do regime..

Os três factores – O Dr. Savimbi está vivo; O Sr. José Eduardo dos Santos tem de sair; e a crise económica e social – são apresentados como motivo para se organizar uma acção militar decisiva contra o regime.

Caros Jornalistas
Companheiros

No último debate havido na Assembleia Nacional reflectimos e concluímos que há uma geração que não consegue promover a reconciliação nacional. Os acordos, mais uma vez estão sendo violados.

Nunca é demais recordarmos hoje e aqui o documento datado de 28/12/2014, virado para as FAA afectando os quadros oriundos das ex-FALA que, pela sua gravidade e pela materialização de intenções constantes do seu conteúdo, voltamos a denunciar para melhor contribuirmos para o processo de reconciliação nacional:

1- “Cessar com qualquer acto (programas) que visa o cumprimento dos acordos entre o Governo (MPLA) e a UNITA” (acabaram, de facto, com o mecanismo bilateral);

-“ O Memorando do Luena, complementar aos acordos de Lusaka, terminou com a extinção do GURN em 2008 e tudo o que desde daí o governo vem fazendo é favor, flexibilidade e gesto de boa vontade (característica e a atitude do nosso partido – MPLA)”;

2- “Com efeito, deve-se proceder um levantamento (registo) de todo o universo da UNITA a todos os níveis, desde as FAA e PN, até às instituições civis e de base, cumprindo com as seguintes medidas:
2.1- Proceder exonerações e calúnias susceptíveis a processos criminais e judiciais;
2.2- Eliminar (acelerar) a morte destes, uma vez hospitalizados, cuja acção deve ser executada por militantes profissionais de cada instituição.
2.3- Todos os membros das ex-FMU integrados e patenteados nos órgãos de defesa e segurança (FAA e PN), devem estar na condição de oficiais a disposição para de forma legal abrangirem a reforma em curso nas FAA (T/General Jorge Kokelo é exemplo desse plano).
- De recordar que a integração, a formação e a colocação em funções destes efectivos, era de acordo com as vagas existentes naquela altura, bem como os quarenta e cinco mil (45.000,00) indivíduos do pessoal desmobilizado das ex-FMU, sendo objecto de reinserção sócio-profissional na função pública (ver acordo de entendimento do Luena).
3- Evitar a todo o custo inclusive os seus descendentes, ascenderem de patentes (funções) ou ocupar lugares de destaque (chefia). Descrimina-los desde os concursos de acesso à função pública, fazendo triagem na juventude (militantes) desde as suas origens políticas – partidárias”.
Povo angolano
Caros Jornalistas
Não fazemos acusações com pretensões de se criar tensões no país. Estamos apenas a buscar entendimento.
Nada estamos a esconder, estamos a informar, de novo, o próprio Presidente da República, para buscarmos diálogo.

Em Maio do presente ano, especificamente dia 22, endereçamos um ofício ao Gabinete do Sr. Secretário Geral do MPLA para discutirmos assuntos que afectam o nosso país, pedindo um encontro. A resposta fez-nos crer haver intenções de se adiar o encontro solicitado para as calendas gregas o que por métodos diplomáticos significará, negar.

Povo angolano
Prezados Jornalistas
A UNITA por esforço próprio, no âmbito da correlação de forças, apresenta-se muito forte na presente etapa.
Perante este facto e perante a crise social que afecta os angolanos, em jeito de conclusão, os objectivos do regime resumem-se no seguinte:

1º- Forjar um motivo para uma purga militar ou criminal contra a Direcção da UNITA.

2º- Utilizar o golpe forjado como tubo de escape para a crise política, económica e social que o país vive e, por via dele, fazer o MPLA cerrar fileiras em torno do seu líder e, assim, esbater o elevado índice de rejeição que enfrenta do povo;

3º- Promover unidade no seio da Direcção do regime, para uma defesa colectiva perante um eventual conflito armado;

4º- Inviabilizar o processo de estabilização interna da UNITA processando criminalmente membros da sua Direcção.

Povo angolano

Apelamos à opinião pública nacional e internacional para a importância deste assunto.

A UNITA já deu provas bastantes de que é pela democracia, sinal de coerência aos princípios e valores que defende desde a sua fundação. A UNITA não planeia nem pactua, activa ou passivamente, com actos que atentem contra o regime democrático de que se bateu tenazmente durante 16 anos ou contra a integridade das instituições democráticas do estado de direito.

Para nós, o jogo político tem limites. Estes incluem os direitos naturais do homem, direito positivo, a ética e a unidade nacional. Quando as circunstâncias políticas o exigem, criticamos o executivo, denunciamos a corrupção, protestamos contra o que julgamos ser políticas erradas, denunciamos o nepotismo e outros males de governação, tudo no quadro do exercício do direito democrático de oposição.

Mas de modo algum e em circunstância alguma os planos e estratégias da UNITA incluem actos como os simulados pelos serviços de inteligência militar ou pela casa de segurança do Presidente da República e as constantes e recentes acusações feitas por alguns dirigentes do MPLA.

A UNITA reitera ao povo angolano a sua convicção de que o regime vigente perdeu o norte e não tem soluções para os graves problemas em que mergulhou o país. Por isso, pretende mais uma vez atentar contra Angola e contra a vontade soberana do seu povo através de planos e actos macabros, típicos da escola bolchevista.

A UNITA reitera aos angolanos e ao mundo o seu compromisso com o estado de direito, com o respeito pelos direitos humanos e pela vontade soberana do povo angolano expressa em eleições livres e democráticas e o seu compromisso com a democracia, que é o regime político da paz.

Luanda, 17 de Agosto de 2015


Muito Obrigado
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Celebramos o 3 de Agosto para homenagear um angolano que se tornou num gigante africano de estatura universal e para transmitir às novas gerações verdades históricas que as forças neocoloniais insistem em deturpar e subverter.
Neste quadro, encontra-se no Huambo, desde o passado sábado, 11 de Julho do ano em curso, uma equipa de 5 operativos da Casa Militar do Presidente da República, com a missão de executar o plano de assassinato do Deputado à Assembleia Nacional e Secretário Provincial da UNITA, Liberty Tchiyaka.
A UNITA hoje - Anastácio Sicato O papel das FALA na conquista da Democracia em Angola - Marcial Dachala
A força da UNITA, segundo Anastácio Sicato reside no facto de a UNITA ser um partido político civil, com presença em todas as províncias, municípios e comunas e em vários países no mundo. Para o membro da direcção da UNITA, a força do seu partido hoje, reside na coragem dos seus membros, nas suas estruturas, nos angolanos e na unidade do partido. A força da UNITA reside na sociedade angolana, onde os membros da UNITA se movem.
As FALA-Forças Armadas de Libertação de Angola-foram criadas em 1966 como um imperativo de participação directa da UNITA na mobilização do povo e no combate armado de libertação do jugo colonial. Outrossim, as Ex-FALA serviriam de embrião na constituição e formação das futuras Forças Armadas de Angola independente.
O papel das FALA na conquista da Independência e Liberdade em Angola
“O Povo angolano deveria sair a rua para erosão do regime” - Por Nuno Álvaro Dala
O legado das FALA foi construído com muita bravura no momento conturbado da sua História em 1966, quando iniciam a luta armada contra o colonialismo português sem armas e sem Bases no estrangeiro e acreditando só no povo e na força da sua identidade como o centro da sua inspiração na acção, e é desta lógica que decorre a afirmação da cultura baseada no princípio de “contar essencialmente com as nossas próprias forças”.
Os angolanos estão certamente diante de um grande dilema: CONTINUAREM A SER (DES)GOVERNADOS por um regime tirânico-ditatorial e cleptocrático, com capa de democracia, ou SE REVOLTAREM CONTRA O SISTEMA, levando a cabo um processo de mudança ou reforma no sentido da implantação de um estado democrático e de bem- estar social.
Depois da queda de Blaise Compaore África espera a queda de JES Carta aberta ao PR, Eng. José Eduardo dos Santos - Alcibíades Kopumi
O verdadeiro sinal enviado por Deus, que partiu do quase desconhecido país Africano, a República do Burkina Faso,ex-república de Alto Volta, deve ser encarado como uma autêntica grelha de partida, que com certeza desembocará no envio para o quinto dos infernos do que resta das ditaduras, no continente Africano Faz exactamente, hoje, 35 anos, que por decisão do Comité Central do MPLA- PT, o Senhor tomava posse aos cargos de seu Presidente, no de Presidente da República e Comandante em Chefe das extintas FAPLA, na sequência da morte, por doença, em Moscovo, do então Presidente da RPA, o Doutor Agostinho Neto.
Eco do Partido Campo do militante
Secretário Geral da JURA avalia dinâmica da organização Adolosi Mango Alicerces, ex- SG da UNITA – In Memoriam
Esteve na província do Moxico, o secretário Geral da JURA, Alicerces Mango e seu adjunto Gaio Kakoma, entre os dias 28 de Setembro e 4 de outubro, para avaliar o grau de cumprimento do programa de acção saído do IIIº Congresso da JURA. Em fevereiro de 1976, integrou a conhecida “longa marcha”, uma coluna de civis e militares encabeçada pelo trio (Jonas Savimbi, Samuel Chiwale e Ernesto Mulato) que abandonou as cidades com destino as matas.

Intolerância
Palavra do Presidente
Discurso do Presidente Samakuva à IV Reunião Ordinária da Comissão Política
Discurso do Presidente Samakuva na Abertura da IV Reunião Ordinária da Comissão Política

Prezados companheiros da Direcção do Partido,
Minhas senhoras e meus senhores:

Cumpre-me em primeiro lugar saudar a todos os companheiros aqui presentes, para participar nos trabalhos da IV Reunião ordinária da Comissão Política.
Sejam todos bem vindos!

A Comissão Política foi convocada para cumprir com uma obrigação estatutária e para além das formalidades sobre questões internas habituais, achamos que esta é também uma oportunidade para passar em revista a situação nacional à luz dos desenvolvimentos que o País tem conhecido. De facto, nos últimos meses, o nosso país tem conhecido situações que suscitam preocupação de vários angolanos que achei oportuno e importante trazer à atenção deste importante órgão do nosso Partido.

Através de vários golpes de Estado silenciosos e subtis, o senhor Presidente José Eduardo dos Santos, consolidou o derrube do regime democrático acordado em Bicesse para dar lugar a um regime muito similar ao ‘sultanismo’, que é o nome que a ciência política atribui ao fenómeno que alguns analistas angolanos classificam de ‘eduardismo’.

A classificação que fazemos do regime actual como ‘sultanismo’ é baseada nas características fundamentais dos regimes não democráticos estudadas por dois cientistas políticos, Linz e Stepan[1], a partir do trabalho analítico de Max Weber.

Segundo estes cientistas, o ‘Sultanismo’ é um regime de governo autoritário onde um só governante está presente em todas as instâncias de poder. Há uma excessiva concentração de poderes num líder que os exerce de forma arbitrária com um fim tendencial de salvaguarda de interesses privados. Os regimes sultânicos anulam a diferença entre público e privado no que respeita à esfera de actividade patrimonial do líder.

Exemplos históricos desses regimes incluem o Haiti dos Duvalier, as Filipinas de Marcos, a República Centro Africana de Bokassa, o Irão do Xá, a Roménia de Ceausescu, o Zaire de Mobutu e o Iraque de Sadam Hussein. É curioso notar também que todos eles foram sempre apoiados pelas superpotências, porque o sultão não é nem se comporta como patriota. Defende e promove os interesses estrangeiros em detrimento dos interesses nacionais, desde que tais interesses o apoiem na sua agenda de se perpetuar no poder.

No autoritarismo sultânico, os poderes do líder expandem-se de tal maneira, que ele cria e mantém uma máquina administrativa, económica, policial, judicial e militar, que actua como sua propriedade pessoal.

Esta máquina, no caso de Angola, transformou o Estado numa entidade violadora dos direitos humanos, que atenta contra a soberania do povo angolano e contra a unidade nacional. Transformou-o também num veículo corruptor da sociedade.

Angola tem hoje um regime neocolonial onde é mais fácil um estrangeiro obter Bilhete de Identidade angolano do que o cidadão de Nambuangongo, do Chongorói ou do Seles.

Por outro lado, notamos que os governos provinciais abandonaram a sua função de servidores e administradores públicos. Foram transformados em secretariados do partido que promovem o sultanismo e já actuam abertamente como tal.

A crise de governação atingiu níveis insustentáveis. O governo não consegue travar a crescente onda de sinistralidade nas estradas nem da criminalidade. Aliás, como o poderá fazer se os factos começam a indicar que algumas sedes do governo são também sedes do crime? Se os administradores dos bancos são também administradores do crime?

Os níveis reais de mortalidade nos Bairros crescem todos os meses. Os níveis de pobreza crescem todos os dias. A qualidade dos serviços públicos de saúde e educação baixa todos os dias. Os jovens que se licenciam aqui no país encontram sérias dificuldades para competir no mercado. As empresas preferem as pessoas formadas no exterior. Até os Ministérios não dão prioridade aos formados no país, em parte porque não são competitivos!

Que país estamos a construir, afinal de contas? É assim que Angola está a subir? Está a subir para onde, companheiros? Assim como os Europeus dividiram entre si os recursos da África, em Berlim, e criaram as actuais fronteiras das suas possessões coloniais, hoje também as forças que controlam o poder político e económico em Angola dividem entre si os recursos de Angola e criam fronteiras de intervenção económica para as diversas famílias da oligarquia.

O caso ‘Banco Espírito Santo de Angola’ constitui apenas um exemplo de como pessoas nas vestes de agentes do Estado utilizam os fundos públicos e a autoridade pública para actos ilícitos. O caso do BESA também levanta sérias questões sobre a integridade do sistema bancário angolano. Como perguntam os mais ingénuos: ‘porque é que um país de desempregados, sub-empregados e de trabalhadores mal pagos que não fazem poupanças tem tantos bancos? O que atrai os Bancos para Angola?

São as oportunidades de ganhar dinheiro fácil através da delapidação do Tesouro Nacional? Será que os que governam o país precisam dos bancos internacionais, que são respeitados internacionalmente, para virem cá e receber o produto do roubo na forma de depósitos? Os Bancos recebem estes dinheiros, em dólares ou em Kwanzas, e não perguntam de onde vem. Depois, pegam numa parte desse dinheiro, e distribuem a certas pessoas do regime.

E outra parte entra em aviões para destinos desconhecidos. À distribuição que fazem chamam empréstimos. Só que depois nunca mais pagam tais empréstimos.

Ora, quando os auditores do BESA e também os accionistas portugueses do BESA detectaram empréstimos mal parados no valor de CINCO MIL MILHÕES DÓLARES, e perguntaram ao Banco quem eram os devedores, os Administradores disseram que não sabiam a quem emprestaram o dinheiro. Sabiam que uma parte do dinheiro financiou prédios, empresas e condomínios, que foram hipotecados como garantia real. Mas essas garantias não são suficientes.

Mas trata-se de dívidas privadas para projectos privados, contraídas por particulares a um Banco privado. Estes privados ficaram com o dinheiro, ficaram com as casas, ficaram com as empresas e não querem pagar.

Então, o representante de um dos donos do Banco, o português Ricardo Salgado, veio a Angola. E foi ter com quem? Sendo um banco privado com devedores privados devia ir ter com os clientes ou com os administradores. Não fez isso. Foi à Cidade Alta.
O Presidente José Eduardo dos Santos mandou emitir uma garantia para o Estado angolano pagar essas dívidas. E mais:
Estava autorizado por lei a emitir uma garantia de Kz: 245.000.000.000,00 (Duzentos e quarenta e cinco Biliões de Kwanzas). Mandou emitir uma garantia de $5.700.000.000.00 (cinco mil milhões e setecentos milhões de dólares norte americanos) a favor do Banco Espírito Santo de Angola (BESA).

Fez isso através de um “Despacho Interno’ nº 7, datado de 31 de Dezembro de 2013, e que, estranhamente, não foi publicado em Diário da República.

Porque é que o Senhor Presidente da República mandou emitir uma garantia de 5 biliões quando a Assembleia Nacional só autorizou a emissão de garantias até 2 mil milhões de dólares? E porquê que não tornou público o Despacho?

As investigações já feitas indicam que os principais donos do BESA são o Ministro de Estado e Chefe da casa de Segurança do Presidente da República, e o antigo Chefe das suas Comunicações. São os mesmos donos da Pumangol, do Kero, da Transfuel e outros empreendimentos. Indicam também que existem fortes indícios de que a garantia fornecida pelo Executivo em nome do Estado angolano poderá ser utilizada para encobrir outras operações entre o Executivo angolano e interesses privados ilícitos, designadamente operações de enriquecimento ilícito e de branqueamento de capitais envolvendo empresas estrangeiras tituladas por angolanos que foram ou são detentores de cargos públicos. Por isso tudo, orientamos o Grupo Parlamentar para solicitar a constituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para junto da Administração do BESA apurar, não só onde foi parar tanto dinheiro, mas também em que medida a utilização feita da autorização concedida ao Titular do Poder Executivo para emitir garantias do Estado no quadro das operações de crédito previstas no OGE de 2013 ou de 2014 transforma os Deputados em cúmplices dos crimes de enriquecimento ilícito, branqueamento de capitais ou de improbidade pública que venham a ser imputados a qualquer dos intervenientes.

De facto, o ex- Presidente do BESA, Álvaro Sobrinho, está a contas com a Justiça portuguesa em vários processos de crimes financeiros. O ex- presidente do BES, o português Ricardo Salgado foi detido em Lisboa há duas semanas em conexão com crimes financeiros, alguns deles cometidos a partir do Banco BESA.

Quem fala do BESA, fala também dos buracos que existirão nos outros bancos, e das lavagens de dinheiro aí praticadas. Todo o sistema bancário está minado. Como dizia um perito, cito, ‘a integridade do sistema bancário de um país e a confiança na sua moeda dependem da integridade do governo que os sustenta”. E este governo está a demonstrar-nos que não é serio.

Companheiros:
Angola virou uma ‘menina bonita’ para muitos países. Os estrangeiros já se aperceberam que o país está a saque e quem o saqueia são os próprios governantes. Então, fazem fila para que cada um possa entrar aqui e debicar também o seu bocado.
Aprenderam também que tudo o que precisam fazer é dizer que Sua Excelência é um grande estadista. Que a sua governação é a melhor do mundo. E que tudo farão para apoiar a candidatura de Angola ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. É tudo quanto precisam dizer para receberem chorudos contratos sem concurso e sobrefacturar milhões, enviar tais dinheiros para os paraísos fiscais e não pagarem impostos nem em Angola, nem nos seus países.

Assim, uma estrada que devia custar $650.000.00 passa a custar $2.000.000.00. Para uma fábrica que custa $300.000.00, Angola paga $3.000.000.00, um estudo que deveria custar $250.000.00, Angola paga $1.500.000.00, etc.

Todos são comerciantes ou actuam como comerciantes. Mesmo os que vêm nas vestes de políticos, no fundo, todos vêm buscar a sua parte. Os políticos levam na forma de comissões ou ajudas para as suas campanhas eleitorais. O esquema é o mesmo: os valores são transferidos para paraísos fiscais por via de empresas por ele controladas e, assim, fogem ao fisco e às autoridades reguladoras dos seus países.

Além disso, Sua Excelência garante oferecer empregos a muitos desempregados desses países, pagando-lhes a preço de ouro, para executarem tarefas para as quais existem angolanos qualificados no mercado interno. Inclusive, tarefas de soberania, em lugares sensíveis como o Ministério do Interior, os Serviços de Segurança Interna e Externa e o Ministério da Defesa.

Sim, os especialistas angolanos de segurança estão a ser substituídos por estrangeiros. Os técnicos e oficiais angolanos estão a ser colocados na prateleira para dar lugar a estrangeiros. São os estrangeiros que fazem as análises; são os estrangeiros que elaboram os relatórios. São os estrangeiros que preparam e executam as estratégias. São eles que mandam no país.
O crescimento económico é produzido e garantido por estrangeiros. Os sistemas de produção, de distribuição e de gestão da logística são garantidos por estrangeiros. O sistema de comunicações é garantido por estrangeiros. O sistema de segurança é garantido por estrangeiros. Todo o PIB é garantido por estrangeiros.

Alguém dirá que somos contra os estrangeiros. Falso. Não temos nada contra os estrangeiros. Porém para nós, tal qual os estrangeiros fazem nos seus países, primeiro é o nacional. Depois é que são os estrangeiros. Por outras palavras, primeiro, o angolano; segundo, o angolano; terceiro, o angolano. E o angolano, sempre.

Onde está a nossa independência, caros companheiros e compatriotas? Onde está a nossa soberania?
Por causa disso, o Presidente José Eduardo dos Santos enviou ao Parlamento uma proposta para redefinir quem é o angolano e alterar a Lei da nacionalidade. Quer dar nacionalidade angolana a todos os estrangeiros que ele considerar que prestam ou tenham prestado relevantes serviços à Pátria.

Quer dar nacionalidade a todos os estrangeiros que perseguiram angolanos, torturaram angolanos ou de outro modo ajudaram a dividir os angolanos no quadro do fraticídio e da guerra fria, desde 1975. Quer dar nacionalidade a todos os estrangeiros que, no seu entender, e só no seu entender, estão em Angola há um certo tempo, falem fluentemente o português e merecem ser angolanos. Os que falam fluentemente o kimbundo ou o Kikongo, não. Só os que falam bem o português.

O Presidente José Eduardo dos Santos, quer consolidar a alteração subtil que vem fazendo da identidade cultural e social de Angola. Quer mesmo alterar a demografia, assim como os outros fizeram com a América Latina!

Não admira, portanto, que todos esses países se sintam em casa quando vêm a Angola. Afinal, têm na Cidade Alta um padrinho que lhes concede até nacionalidade quando entende.

Prezados companheiros da Comissão Política:

Quando um governante utiliza a autoridade pública para atacar a República ao invés de protegê-la; ou quando subverte a democracia utilizando a Constituição, os órgãos do Estado, ou as políticas públicas, a utilização destes veículos não alteram a natureza subversiva e anti-patriótica dos atentados graves ao Estado de Direito e à soberania popular.

O espectáculo que a Televisão Pública de Angola exibe todos os dias, são imagens ilusórias da governação teatral do MPLA. A TPA foi transformada na principal máquina de propaganda do sultanismo. Várias empresas de produção televisiva detidas pela oligarquia foram constituídas e equipadas com fundos públicos para preparar pacotes de programas para impressionar, seduzir e enganar. Do que produzem, nada é sustentável, nada é duradouro, nada é sério. É um simples espectáculo de luzes, um ‘show business’, como diriam os ingleses. Aqui também os principais artistas deste espectáculo de ilusionismo são estrangeiros a soldo da oligarquia sultânica.

A arte de enganar por via de actos de marketing não fica por aí. Recentemente, o regime introduziu os Fóruns para esvaziar o forte conteúdo político-constitucional do princípio da autonomia local.

A concretização do princípio constitucional da autonomia local faz-se por via das autarquias locais no quadro do poder local.
Nas democracias participativas há transferência efectiva do poder aos munícipes, não meros Fóruns de auscultação do sultão.
No sultanismo, claro, o sultão quer mandar em tudo e em todos. E quer fazer teatro fingindo que ouve a mulher rural, ouve os jovens, ouve os munícipes. Mas fica com o poder todo. Fica com o dinheiro e com o poder de decisão!

Os angolanos já rejeitaram esta centralização! Rejeitámo-la em 1975, rejeitámo-la nas décadas de 80 e 90. E rejeitámo-lo novamente agora.

A Constituição da República de Angola consagra as AUTARQUIAS LOCAIS, que são órgãos autónomos do poder dos cidadãos, distintos do Estado. São as autarquias que concorrem para a resolução directa e autónoma dos problemas das populações. As autarquias nada têm a ver com o Governo central. Onde há autarquias não há Administração municipal nem Fóruns organizados pelo poder Executivo central.

Os problemas da mulher rural são melhor equacionados no quadro do Poder local, pelas próprias mulheres rurais, através de órgãos autónomos delas representativos, eleitos nas eleições autárquicas.

Os problemas dos municípios e das cidades, nos termos da Constituição, devem ser resolvidos de forma autónoma pelos munícipes, através de três órgãos próprios, que são: uma Assembleia dotada de poderes deliberativos, um órgão executivo colegial e um Presidente da Autarquia.

A Assembleia é composta por representantes locais, eleitos por sufrágio universal, igual, livre, directo, secreto e periódico dos cidadãos eleitores na área da respectiva autarquia, segundo o sistema de representação proporcional.
O órgão executivo colegial é constituído pelo seu Presidente e por Secretários por si nomeados, todos responsáveis perante a Assembleia da Autarquia.

O Presidente do órgão executivo da autarquia é o cabeça da lista mais votada para a Assembleia. As candidaturas para as eleições dos órgãos das autarquias podem ser apresentadas por partidos políticos, isoladamente ou em coligação, ou por grupos de cidadãos eleitores, nos termos da lei.

Os Fóruns não servem o propósito da administração local autónoma, porque não são pessoas colectivas territoriais correspondentes ao conjunto de residentes em certas circunscrições do território nacional e que asseguram a prossecução de interesses específicos resultantes da vizinhança, mediante órgãos próprios representativos das respectivas populações, como estabelece a Constituição.

Os Fóruns não têm poder de decisão, não têm órgãos eleitos, não têm recursos próprios. Os Fóruns não são órgãos deliberativos, autónomos e separados do poder central do Estado. São manobras de diversão do sultanismo que a UNITA rejeita categoricamente. É tempo de acção. É tempo de descentralizar e de devolver o poder aos munícipes para resolverem eles mesmos os problemas prementes do comércio urbano e rural, da educação, da saúde, da criminalidade urbana e rural, e do desenvolvimento urbano e rural.

Companheiros:
Em síntese, a gravidade da situação do país pode ser resumida em seis pontos:

1) Houve uma mudança subtil e inconstitucional do regime político acordado em Bicesse, o que implica dizer que o Presidente José Eduardo dos Santos revogou os Acordos de Paz firmados em 1991 e substituiu o regime democrático e a reconciliação nacional pelo regime autoritário sultânico que se baseia no exercício do poder do estado de forma arbitrária e sem limites por um só homem.

2) O regime em Angola também pode ser caracterizado de neocolonial porque o país é dirigido por estrangeiros, no interesse de estrangeiros e está a saque de quem o quiser sacar, sendo tal saque promovido e protegido por quem governa o país.

3) A nacionalidade angolana, a soberania nacional e a identidade política e cultural de Angola estão ameaçados.

4) A supremacia da Constituição do MPLA foi substituída pela vontade de um homem. A democracia tornou-se uma miragem e a reconciliação nacional uma quimera.

5) Os peritos e oficiais angolanos nas Forças de Defesa e Segurança estão a ser todos afastados dos postos de comando e substituídos por estrangeiros ou colocados na prateleira. Não importa a sua proveniência, o que importa é que por serem angolanos não servem.

6) Um grupo de predadores que se confunde com o Estado utiliza o sistema financeiro nacional para executar operações ilícitas de branqueamento de capitais, enriquecimento ilícito e corrupção, dentro e fora de Angola e a justiça angolana mostra-se incapaz de investigar e julgar tais crimes.

Perante este quadro, o que devemos fazer?

Mudanças profundas exigem ajustes profundos, medidas correctivas profundas que a Comissão Política não tem legitimidade para as tomar. No nosso calendário político partidário, o próximo ano é ano do Congresso. Precisamos de começar a aprofundar a análise desta situação para que seja levada ao Congresso a fim de que este possa responder com propriedade e autoridade a estas ameaças e desafios.

A nossa agenda para esta reunião inclui um ponto que se destina a cumprir com o requisito estatutário, que nos obriga ouvir o parecer da Comissão Política antes de convocar o Congresso. Gostaria, portanto, nos termos dos Estatutos, ouvir o parecer da nossa Comissão Política sobre a necessidade de realizarmos o nosso XII Congresso Ordinário no próximo ano de 2015.

Caros companheiros,

Ao contrário da opinião largamente difundida, os regimes autoritários sultânicos são construções sempre frágeis e precárias, apesar de poderosas e opressivas. Segundo Linz, esses regimes são débeis, frágeis, instáveis e precários e, talvez precisamente por terem consciência disso, recorrem à repressão e à opressão.

Temos de nos posicionar para o futuro AGORA, porque a História.

Por outro lado, creio ter chegado o momento para se transformar a UNITA num instrumento ao serviço de toda a sociedade. A UNITA precisa de estabelecer novos cenários de intercomunicação com o eleitorado de natureza estável e permanente, para facilitar o acesso do eleitor ao nosso Partido, seja para questionar, seja para filiar-se, seja para sugerir medidas de política específicas para salvaguarda dos seus interesses pessoais, de grupo ou de classe.

Há que transformar as nossas sedes em locais de participação social, onde o cidadão se informa e apresenta propostas para resolução dos problemas sociais.

Há que maximizar o uso de todos os recursos que as redes sociais colocam à nossa disposição e colocá-los ao serviço da concepção participativa da democracia que a UNITA preconiza. Há que colocar o nosso Partido ao lado do cidadão, em cada esquina, em cada aldeia, em cada Bairro, em cada área de intervenção social, para melhor compreender a realidade individual e social em que se desenvolve a cidadania e aumentar o grau de interacção com ela, visando a mais ampla e efectiva participação dos cidadãos na vida pública.

Numa palavra, há que preparar os cidadãos para assumirem, eles mesmos, o poder político, seja o poder autárquico, seja o poder do Estado.

A posição da UNITA como interlocutor incontornável na busca de soluções para o país, está consolidada. A condição da UNITA de força estruturada e experimentada, capaz de manter a estabilidade do país, é indiscutível. É com este espírito e alto sentido de responsabilidade perante a história que devemos encarar as nossas reuniões, a partir de hoje. Já não estamos aqui apenas para tratar assuntos internos da UNITA. A UNITA hoje é muito mais do que a UNITA. Angola espera pela UNITA. Todos os assuntos da UNITA afectam o país, porque a UNITA é tudo o que os milhões de sofredores têm para realizar o sonho da sua cidadania!

Declaro aberta a IV Reunião ordinária da Comissão Política.
Muito obrigado.
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grupo parlamentar - actividade
Declaração politica da UNITA na 10ª Sessão Plenária de 22 de Julho de 2015
REPÚBLICA DE ANGOLA
ASSEMBLEIA NACIONAL
GRUPO PARLAMENTAR DA UNITA
GABINETE DO PRESIDENTE

DECLARAÇÃO POLITICA DA UNITA
22 DE JULHO DE 2015

Excelência Senhor Presidente da Assembleia Nacional;
Ilustres Auxiliares do Titular do Poder Executivo e seus Auxiliares;
Caros Deputados;
Minhas Senhoras e meus Senhores:
A reunião plenária deste mês de Julho de 2015 inscreve, entre outros assuntos, um relatório de execução orçamental, relativo ao primeiro trimestre deste ano, que o Executivo nos traz, para informação, assumido o facto de que os deputados devem aceitar esta meia dúzia de papéis conforme aqui são trazidos, sem podermos verificar se esta informação é verdadeira ou não.

Dormiu-se à sombra da bananeira e ninguém pensou na grande revolução do petróleo de xisto americano, que fez baixar o preço do “crude”, abanando completamente as estruturas de um país como o nosso, que tira do petróleo 75% das suas receitas; receitas para realizar despesas visíveis, verdadeiras; receitas para realizar despesas invisíveis, inventadas; receitas para realizar despesas repetidas mesmo depois de realizadas e acabadas; mas também receitas para realizar despesas com a compra de lealdades das elites políticas, económicas e militares, que custam muito caro aos cofres do Estado. E a gravidade da situação é admitida nesse relatório de execução orçamental, com uma quebra de receitas totais em 85%, comparativamente ao mesmo período do ano passado. É demasiado pesado para uma economia que só se consegue diversificar no “blá-blá-blá”; num país onde, em 40 nos, os senhores que mandam não conseguiram criar uma economia alternativa ao petróleo.

E agora que as coisas apertam, e nos mandam a todos apertar os cintos – porque, para as dificuldades, somos todos angolanos, não importando a cor partidária; cor partidária que, no entanto, é um imperativo quando se trata da partilha; e como o Ocidente não serve para os empréstimos, porque exige transparência, boa governação, prestação de contas, coisas que ainda não estão inscritas no nosso dicionário, o Presidente da República resolveu ir pessoalmente à China pedir dinheiro, já que os irmãos asiáticos só querem o reembolso, não se preocupando com o destino dado ao dinheiro do empréstimo.

Mas o nosso Presidente, afinal, recebeu quanto? Ninguém sabe! Para pagar como? Ninguém sabe! A troco de quê? Ninguém sabe! Em quanto tempo? Ninguém sabe! Pedimos ao nosso Presidente para explicar o que fez e como fez na China, o Chefe não fala! Só falam os chineses e os “comentaristas-militantes” de serviço para dizerem NADA, dando-nos a desgraça de assistir a esta comédia com verdadeiros traços de um filme de terror.

As forças políticas na oposição parlamentar solicitaram, a 30 de Junho último, que o Titular do Poder Executivo se digne explicar ao Povo, dono do dinheiro e da dívida também, quais as condições dessa dívida que vai amarrar a vida dos pobres desta terra pelos próximos muitos anos. Estamos à espera.

Aqui neste país onde nada nos afecta, nem crises, nem coisas que valham, o custo de vida aumentou quase 10%, a inflação anda a uma velocidade assustadora, ninguém diz aos angolanos qual o verdadeiro estado da nossa economia e os dados divulgados padecem sempre de um verdadeiro optimismo militante.

Senhores Deputados,

Viemos aqui falar de “cidadania” e de “nacionalidade”, em meio de relatos que, na região Leste do nosso país, os estrangeiros estão a ser agraciados com registos fantoches e atribuição de Bilhetes de Identidade, para fins que os angolanos não sabem.

Trazem-nos um relatório da Comissão Nacional Eleitoral para 2014. Mas os relatórios referentes aos outros anos, sobretudo o de 2012 para vermos como, afinal, a CNE fez a gestão das eleições, não chegou aos Grupos Parlamentares da Oposição. Mas então o que é que está lá que nós não podemos ver?

Senhores Deputados,

É justamente para impedir que os angolanos saibam o que aqui discutimos e decidimos, que se impede que as sessões deste parlamento sejam transmitidas, nem em directo.

A 7 de Novembro de 2013 – já lá vão dois anos – as forças políticas na oposição parlamentar endereçaram ao senhor Presidente da Assembleia Nacional uma carta conjunta a reclamar da pouca vergonha de termos aqui verdadeiras “conversas de quintal” que não chegam aos angolanos. E, mais uma vez, estamos aqui hoje a falar sozinhos. De nós para nós. Apenas isso. O Povo? Que se dane, por enquanto! Pois quem manda apenas se vai preocupar com esse Povo quando precisar do seu voto a troco de algumas latas de cerveja “Cuca”, numa maratona qualquer, nessa tendência “aldrabacionista” de querer o poder apenas para se servir.

Esta Assembleia Nacional tem condições técnicas instaladas para que todas as sessões sejam transmitidas, em directo, e julgamos que aqui não há nem pode haver coisas a esconder aos angolanos que representamos. Foi gasto muito dinheiro do erário para o fazer. É obrigação deste parlamento transmitir fielmente aos angolanos aquilo que aqui fazemos pois, agir de outro modo, é uma grande desonestidade, uma grande trapaça, uma grande violação ao direito constitucional dos cidadãos de serem informados; um direito violado justamente pela Assembleia Nacional que o devia assegurar. Mas o problema é do parlamento? Não! Acreditamos que nenhum dos deputados presentes nesta sala, independentemente da sua cor política, é contra a transmissão destas sessões. Sabemos todos quem nos anda a dificultar a vida, e a ele pedimos que deixe este Órgão de Soberania funcionar como tal: com soberania. E a partir desta tribuna quero deixar claro, em nome do Grupo Parlamentar da UNITA, que, a partir de hoje, vamos utilizar todos os meios democráticos de protesto ao nosso alcance para que, nesta matéria, os direitos dos cidadãos sejam respeitados. Chega de “democraturas”!

Muito obrigado, Senhor Presidente.

GRUPO PARLAMENTAR DA UNITA,
22 DE JULHO DE 2015
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L.i.m.a - actividades
LIMA lamenta perda irreparável de Maria Odília Chimambo Barros
Mensagem de Condolências da LIMA por ocasião do passamento físico da mãe Odília Chimambo Barros.

A morte matreira e injusta arrebatou precocemente do nosso seio a nossa mãe, irmã, amiga e companheira Odília Chimambo Barros.
Como descrevermos neste momento o seu percurso histórico, quando os nossos olhos estão cheios de lágrimas e os nossos corações cheios de saudades daquela que sempre esteve firme em seguir os ensinamentos do Dr. Jonas Malheiro Savimbi!

De Cabinda onde ainda muito jovem abraçou os ideais da UNITA, passando pelo és Zaíre hoje R. D. C, sempre na companhia de seu esposo o saudoso José Lembe e seus familiares foram até a Jamba, Bastião da Resistência heróica. Era preciso muita coragem, determinação, espírito de sacrifício e forte convicção no sentido de contribuir na edificação do grande projecto de implementar a Democracia multipartidária.

Sempre com um sorriso nos lábios que lhe era peculiar, aceitava as missões da direcção da LIMA, e assim, fruto das suas qualidades de liderança ascendeu a membro do Comité Nacional, do Executivo Nacional, Presidente Provincial da LIMA em Cabinda e membro da Comissão Política do Partido.

Quando nos inclinamos solenemente em homenagem a nossa mãe Odília, cabe - nos destacar que sua memória envolve toda uma geração de mulheres patriotas que no momento em que tiveram de dar a sua contribuição ao país. nunca olharam para atrás , mas buscaram consagrar toda a sua vida em prol dos grandes desafios que se levantaram no seu tempo, tais como: a conquista da liberdade, da paz e da reconciliação nacional.

Recordar hoje a inesquecível mãe Odília, é também fazer referência ao seu envolvimento na educação da juventude. O amor de mãe carinhosa que sempre transmitiu os doutos ensinamentos aos filhos e não só, caracterizou-lhe como eximia mulher defensora dos valores morais, culturais, cívicos e cristãos.

No seu espírito criativo havia grandes realizações e era com entusiasmo que ela nos transmitia nos seus relatórios os projectos que tinha, no que tange a Promoção da mulher em Cabinda. Deu o seu melhor contributo na luta pela causa da dignificação e valorização da mulher angolana.

A LIMA- Liga da Mulher Angolana, organização feminina onde pertenceu, deplora a perda irreparável de um dos seus membros bastante dinâmico e participativo. Promete continuar a honrar a sua memória através de acções para levar avante os ideais pelos quais tanto contribuiu.

Os seus feitos jamais serão esquecidos. Serão sempre recordados, pois, “ os homens passam mas as suas obras permanecem vivas para a posteridade”.
Neste momento de dor luto e consternação, o Comité Nacional da LIMA endereça à família enlutada em geral e em particular aos filhos e netos as mais sentidas condolências.

Paz à sua alma.

Luanda, aos 21 de Agosto de 2015

O Comité Nacional da LIMA
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